logorréia:
profusão de frases sem sentido e/ou inúteis; compulsão para falar, loquacidade exagerada que se nota em determinados casos de neurose e psicose ...

Para ler no frio

Publicado: March 1st, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Leitura | Nenhum Comentário »

Esta coberta com mangas parece uma boa saída para aqueles dias frios em que você não sabe se aquece os braços ou se continua a leitura correndo o risco de congelar:

Estará à venda em breve. Confira mais detalhes(dica da Talita)


Oficina de textos literários (Curitiba)

Publicado: February 22nd, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Oficinas/Cursos/Palestras | Tags: , , , , | Nenhum Comentário »

Quer começar a escrever? Quer aperfeiçoar a sua escrita?

Pois bem, na próxima semana começa a oficina de textos literários no Solar do Rosário, em Curitiba. Cursei a oficina durante 2009 e gostei muito, principalmente pelas leituras que fizemos e discutimos durante as sessões.

Para quem tiver interesse:

Produção de textos literários. Leitura e interpretação de textos selecionados. Apresentação e discussão da teoria literária e da estilística (inclui comentários sobre o Novo Acordo Ortográfico e temas de linguística).

Professor(a): IVAN JUSTEN SANTANA
Titulação: MESTRE EM LITERATURA PELA USP

04/março a 24/junho de 2010
19h30 às 21h30 – 5ªs feiras

Parcelas mensais de R$ 115,00


Etimologia de poesia em árabe e alemão

Publicado: February 8th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Citação, Curiosidade, Idiomas, Leitura, Poesia | Tags: , , , , | Nenhum Comentário »

Do ABC da Literatura, de Ezra Pound:

“Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”.

Dichten = condensare.

Começo com a poesia porque é a mais condensada forma de expressão verbal. Basil Bunting, ao folhear um dicionário alemão-italiano, descobriu que a idéia de poesia como concentração é quase tão velha como a língua germânica. Dichten é o verbo alemão correspondente ao substantivo Dichtung que significa poesia e o lexicógrafo traduziu-o pelo verbo italiano que significa condensar.

D’A Poesia Árabe Moderna e o Brasil, de Slimane Zeghidour:

Os historiadores consideram que as grandes culturas semíticas originam-se do deserto arábico, e que elas estão portanto no começo de tudo: o termo beduínos vem de BADW, que significa exatamente começo. A única arte que os nômades podem desenvolver é de fato a língua — que se torna assim o que Heidegger disse: “a morada do ser”. A frase do filósofo alemão é tão verdadeira que o verso poético árabe chama-se BAYT (literalmente casa) e palavra diz-se MOUFRAD (de FARD, ou seja, indivíduo). Assim, verso poético, diz-se BAYTAL AL CHI’IR e a tenda dos beduínos chama-se BAYTAL CHA’R (a casa do pêlo). Constata-se claramente a semelhança, a equivalência e a simbiose entre o indivíduo, o meio ambiente e a língua. São argumentos que se referem ao determinismo do meio ambiente; mas, na verdade, foram razões religiosas que marcaram a língua aramaica e, em conseqüência, o árabe. No aramaico, língua mãe das línguas semíticas faladas (etíope, fenício, etc) e litúrgicas (siríaco, hebreu, etc.), a palavra poesia, CHI’IR, designa também o canto. Canto e poesia são inseparáveis e têm uma função religiosa. Cantava-se para os deuses, daí o caráter sagrado de CHI’IR.


Uma semana de perdas

Publicado: January 28th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Cinema, Literatura Estrangeira | Tags: , , , | Nenhum Comentário »

Faleceu ontem, com 87 anos, o historiador, escritor e ativista político Howard Zinn. A única obra de Zinn publicada até o momento no Brasil é a sua autobiografia, lançada em 2005 pela L-Dopä Publicações.

Como se não bastasse, hoje faleceu o escritor norte-americano J. D. Salinger, autor de O Apanhador no Campo de Centeio. Salinger morreu com 91 anos, de causas naturais, em sua casa em New Hampshire. Em homenagem ao autor a revista The New Yorker liberou para leitura (em inglês) os 13 contos de Salinger publicados pela revista entre os anos de 1946 e 1965, entre eles o excelente A Perfect Day for Banana Fish.

E desviando um pouco da literatura, uma terceira perda: a Miramax anunciou hoje que está fechando as portas. Entre os sucessos lançados pelo estúdio estão O Balconista (Clerks), Pulp Fiction e Cães de Aluguel (Reservoir Dogs).


Os rios de Joyce

Publicado: January 18th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Idiomas, Leitura, Literatura Estrangeira | Tags: , , | 3 Comentários »

No 12º capítulo de Quase a Mesma Coisa – Experiências de Tradução, Umberto Eco comenta a reelaboração radical: quando um tradutor toma tantas licenças ao traduzir um texto que o resultado final acaba sendo uma reelaboração e perde a característica de reversibilidade. Se revertermos a tradução no Google Translate, por exemplo, ficará difícil (ou impossível) perceber o texto original.

Neste capítulo ele mostra alguns trechos de Finnegan’s Wake traduzido para o italiano e para o francês pelo próprio James Joyce. O livro é famoso por conter o máximo do experimentalismo de Joyce. “Para passar a sensação do fluir do Rio Liffey, o livro contém, variadamente mascarados, cerca de oitocentos nomes de rios”.

O Rio Liffey, em Dublin

O Rio Liffey, em Dublin

Ao questionar os critérios de tradução escolhidos por Joyce, Eco cita um trecho do livro:

Tell us in franca langua. And call a spate a spate. Did they never sharee you ebro at skol, you antiabecedarian? It’s just the same as if I was to go par examplum now in conservacy’s cause of telekinesis and proxenete you. For coxyt sake and is that what she is?

E comenta:

Spate remete a spade e to call a spade a spade corresponde ao nosso dire pane al pane. Mas spate remete também à idéia de rio (a spate of words é um rio de palavras). Sharee junta share e o rio Shari, ebro junta hebrew e o Ebro, skol junta school e o rio Skollis. Saltando outras referências, for coxyt sake traz à mente não apenas o rio infernal Cocito, como for God’s sake (e portanto uma invocação, no contexto, blasfema).

Antes de prosseguir com a análise das traduções, ele deixa uma nota de rodapé:

Como Joyce nunca dizia uma coisa só, for coxyt sake remete também ao Cox River, e um falante inglês sugeriu-me também uma alusão obscena, dado que for coxyt sake soa bastante parecido com for coxiti’s ache, onde coxitis é uma espécie de luxação do quadril e poderia, então, sugerir uma pain in the ass. Atenho-me à intuição do falante e não enfeitarei mais.

Simplesmente genial! Não consigo descrever de outra forma. Se eu conseguir ler Ulisses — e pretendo fazer isso antes do Bloomsday deste ano — pode ser que um dia eu crie coragem pra tentar me afogar no Finnegan’s Wake.


Viajar sem sair do quarto

Publicado: January 4th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Citação, Leitura, Literatura Estrangeira, Vídeo | Nenhum Comentário »

Xavier de Maistre foi uma das influências de Machado de Assis. Ou ainda é, já que o autor morre, mas a obra permanece. Acabei de ler Viagem à Roda do Meu Quarto e por acaso encontrei um vídeo do Entrelinhas sobre o autor e este relato dos 42 dias em que o personagem viaja dentro do seu próprio quarto:

A matéria do Entrelinhas cita o momento em que o narrador começa a divagar sobre a dualidade que o ser humano carrega, a divisão entre alma e besta. Isto acontece logo no sexto capítulo do livro e o primeiro exemplo desta teoria explica o que acontece durante um momento que todo leitor ou leitora já enfrentou:

Quando estais lendo um livro, caro senhor, e uma idéia mais agradável entra de repente em vossa imaginação, a vossa alma imediatamente se deixa agarrar e esquece o livro, enquanto os olhos vão seguindo maquinalmente as palavras e as linhas; acabais a página sem compreendê-la e sem vos lembrardes do que lestes. — Isto vem do fato de que a vossa alma, tendo ordenado à companheira que continuasse a leitura, não a advertiu da ligeira falta que ia fazer; de modo que a outra continuava a leitura que a vossa alma não mais ouvia.

Viagem à Roda do Meu Quarto; Xavier de Maistre; Estação Liberdade, pg. 13.
Tradução de Marques Rebelo.

Já terminei a Viagem e agora parto para a Expedição Noturna à Roda do Meu Quarto, a continuação publicada 31 anos depois do primeiro livro. Ainda em tempo, uma nova tradução lançada recentemente pela editora Hedra e a atualização já começa pelo título: Viagem Em Volta do Meu Quarto.


Yeats e Freud em domínio Público!

Publicado: December 31st, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Eventos, Literatura Estrangeira, Poesia | 1 Comentário »

William Butler Yeats

W. B. Yeats: a partir de hoje, em domínio público.

Hoje é dia de comemorar. O primeiro de janeiro, além do início de um novo ano, representa também o dia em que vencem os direitos autorais de muitas obras. A partir de hoje os trabalhos do pai da psicanálise, Sigmund Freud, caem em domínio público. Além dele, os poemas e peças do irlandês William B. Yeats também passam a ser de todos nós. Um conto de Yeats pode ser encontrado no já comentado Contos Irlandeses do Início do Séc. XX, uma compilação organizada e traduzida por Luci Collin.

A lista completa dos nomes que entram em domínio público a partir de hoje pode ser consultada no Public Domain Works.

Atualização: A Biblioteca Nacional da Irlanda preparou uma versão virtual da exposição que está mantendo sobre a vida e o trabalho de W. B. Yeats. Vale a pena conferir!

Exposição virtual sobre Yeats

Exposição virtual sobre Yeats

Feliz 2010! Feliz Dia do Domínio Público!


As leituras de 2009

Publicado: December 26th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Leitura | Nenhum Comentário »

O Dois Espressos fez,

o Lendo.org fez,

o Caio também fez.

Eis que agora chega a minha vez.

Não muito tempo depois,

Neto foi lá e também fez.


Um pouco mais de Júlio Verne

Publicado: October 28th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Leitura, Literatura Estrangeira | Tags: , , , , | Nenhum Comentário »

Lendo a coluna Ecco! da revista Entre Livros #3, conheci o Zvi Har’El’s Jules Verne Collection, um website dedicado ao escritor francês Júlio Verne e mantido pelo Dr. Zvir Har’El desde novembro de 1995. No site é possível encontrar notícias, agendas de celebrações, bibliografia, antologia de ensaios, fórum para discussões vernianas, imagens de selos dedicados ao escritor, ilustrações das edições originais francesas e até uma lista das traduções de Verne para o hebraico. O senhor Zvi é um israelense que mantém o site em homenagem ao filho, que faleceu quando tinha 19 anos.

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A seção que mais chama a atenção, indicada na revista por ninguém menos que Umberto Eco, é a livraria virtual, que contém textos integrais de Verne em diversas línguas. Infelizmente a ausência da bandeira de algum país lusófono indica que nenhum dos textos está traduzido para o português. Porém a seção com as perguntas mais freqüentes, o FAQ, já está traduzido para a nossa língua.


Um Bellatin de graça!

Publicado: October 28th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Leitura, Literatura Estrangeira, Literatura Nacional | Tags: , , , , , , | Nenhum Comentário »

Edição impressa de Flores

Edição impressa de Flores

A editora Cosac Naify, famosa por suas edições de excelente qualidade, disponibilizará para download, durante alguns meses, o livro Flores, do escritor mexicano Mario Bellatin.

Formado por narrativas curtas – todas com nomes de flores –, o livro narra fragmentos de vida de personagens solitários e ambíguos, como um cientista que descobre um fármaco causador de formações físicas e um escritor que pesquisa formas incomuns de sexualidade. As tramas possuem uma violência implícita, num mundo em que a anormalidade é a regra.

Para baixar o livro em formato PDF, acesse o site da editora.

Bellatin participou da FLIP deste ano, dividindo palco com o escritor Cristovão Tezza, que acaba de faturar mais um prêmio com O Filho Eterno. Desta vez Tezza receberá um prêmio no valor de R$ 100 mil na 13ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo. A notícia completa pode ser lida no site da Folha.