Publicado: April 10th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Entrevista, Leitura, Literatura Estrangeira, Poesia, Tradução | Tags: Estados Unidos, Iraque, Literatura Árabe, Mahmoud Darwish, Sinan Antoon | Nenhum Comentário »
Eu sempre esbarro no nome Sinan Antoon, principalmente porque ele é o principal tradutor do poeta palestino Mahmoud Darwish (para o inglês). Depois desta entrevista fiquei com vontade de ler o primeiro romance dele, I’jaam: An Iraqi Rhapsody, que acabou de ser publicado.
Alguns trechos da entrevista rapidamente traduzidos:
“Eu costumo pensar que se a juventude não for radical, então quem será?”
“Linearidade gera tédio e monotonia. Mais uma coisa: ela é um mito popular. Nós nem sequer pensamos nas nossas vidas ou lembramos delas de uma maneira linear. Linearidade é uma tentativa da mente de impor alguma lógica e ordem nesta existência aleatória e irracional!”
“Eu penso em mim como um cidadão do mundo; onde quer que eu esteja eu tentarei ser crítico e manter uma distância, uma distância crítica, mas também escrever bem. Mahmoud Darwish, meu poeta favorito, disse que “todo poema bonito é um ato de resistência.” Então não adianta ter a política certa, mas não satisfazer esse desafio estético.”
“(…) ser recluso é bom para escrever poesia! Mark Twain disse que “a sociedade e a família são os piores inimigos do artista”!”
Publicado: March 15th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Eventos, Poesia | Tags: Curitiba, Música, Poesia, Recital, Rock Leituras | Nenhum Comentário »

Vi este cartaz colado pelo centro de Curitiba e hoje lembrei de conferir o tumblr do Rock Leituras. O recital será realizado no Auditório Paul Garfunkel da Biblioteca Pública do Paraná, no dia 30 de março de 2010, às 18 horas.
Publicado: February 8th, 2010 | Autor: logorreia | Categorias: Citação, Curiosidade, Idiomas, Leitura, Poesia | Tags: Alemanha, Árabes, Ezra Pound, Poesia, Slimane Zeghidour | Nenhum Comentário »
Do ABC da Literatura, de Ezra Pound:
“Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”.
Dichten = condensare.
Começo com a poesia porque é a mais condensada forma de expressão verbal. Basil Bunting, ao folhear um dicionário alemão-italiano, descobriu que a idéia de poesia como concentração é quase tão velha como a língua germânica. Dichten é o verbo alemão correspondente ao substantivo Dichtung que significa poesia e o lexicógrafo traduziu-o pelo verbo italiano que significa condensar.
D’A Poesia Árabe Moderna e o Brasil, de Slimane Zeghidour:
Os historiadores consideram que as grandes culturas semíticas originam-se do deserto arábico, e que elas estão portanto no começo de tudo: o termo beduínos vem de BADW, que significa exatamente começo. A única arte que os nômades podem desenvolver é de fato a língua — que se torna assim o que Heidegger disse: “a morada do ser”. A frase do filósofo alemão é tão verdadeira que o verso poético árabe chama-se BAYT (literalmente casa) e palavra diz-se MOUFRAD (de FARD, ou seja, indivíduo). Assim, verso poético, diz-se BAYTAL AL CHI’IR e a tenda dos beduínos chama-se BAYTAL CHA’R (a casa do pêlo). Constata-se claramente a semelhança, a equivalência e a simbiose entre o indivíduo, o meio ambiente e a língua. São argumentos que se referem ao determinismo do meio ambiente; mas, na verdade, foram razões religiosas que marcaram a língua aramaica e, em conseqüência, o árabe. No aramaico, língua mãe das línguas semíticas faladas (etíope, fenício, etc) e litúrgicas (siríaco, hebreu, etc.), a palavra poesia, CHI’IR, designa também o canto. Canto e poesia são inseparáveis e têm uma função religiosa. Cantava-se para os deuses, daí o caráter sagrado de CHI’IR.
Publicado: December 31st, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Eventos, Literatura Estrangeira, Poesia | 1 Comentário »

W. B. Yeats: a partir de hoje, em domínio público.
Hoje é dia de comemorar. O primeiro de janeiro, além do início de um novo ano, representa também o dia em que vencem os direitos autorais de muitas obras. A partir de hoje os trabalhos do pai da psicanálise, Sigmund Freud, caem em domínio público. Além dele, os poemas e peças do irlandês William B. Yeats também passam a ser de todos nós. Um conto de Yeats pode ser encontrado no já comentado Contos Irlandeses do Início do Séc. XX, uma compilação organizada e traduzida por Luci Collin.
A lista completa dos nomes que entram em domínio público a partir de hoje pode ser consultada no Public Domain Works.
Atualização: A Biblioteca Nacional da Irlanda preparou uma versão virtual da exposição que está mantendo sobre a vida e o trabalho de W. B. Yeats. Vale a pena conferir!

Exposição virtual sobre Yeats
Feliz 2010! Feliz Dia do Domínio Público!
Publicado: October 23rd, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Entrevista, Literatura Nacional, Poesia, Vídeo | Nenhum Comentário »
O programa abaixo foi exibido pela RPC no último dia 17:
Parte I:
Parte II:
Publicado: September 15th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Leitura, Literatura Estrangeira, Poesia | Tags: Fernando Pessoa, Lisboa, Portugal, Revista Orpheu | Nenhum Comentário »

Fernando Pessoa aos 20 anos
Em 1918, Fernando Pessoa estreiava como autor publicando em inglês Antinous - poema sobre o amor entre o Imperador Adriano e Antínoo – e 35 Sonnets. Antinous pode ser lido na íntegra em http://purl.pt/13961, numa versão microfilmada da Biblioteca Nacional de Portugal. Porém, como os arquivos são um tanto grandes, talvez você prefira puro texto ou um PDF menos gráfico oferecido pelo Projeto Guttemberg. De acordo com a Wikipedia, os poemas em inglês foram resenhados com destaque no Times, porém não consegui encontrar o artigo buscando nos arquivos do jornal.
No site da Biblioteca Nacional de Portugal também possível folhear o primeiro número da Revista Orpheu, lançada em conjunto com Mário de Sá Carneiro e outros amigos em 1915. A revista trimestral anunciava na sua página de Condições que nunca teria menos de 72 páginas e custaria, “invariavelmente, 30 centavos o número avulso, em Portugal, e 1$500 réis fracos no Brazil”.
Publicado: September 15th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Citação, Leitura, Literatura Estrangeira, Poesia | Tags: Cervantes, Dom Quixote, Espanha | Nenhum Comentário »

Do curioso e grande expurgo que o padre-cura e o barbeiro fizeram na livraria do nosso engenhoso fidalgo:
— Assim será — respondeu o barbeiro —; mas que se há de fazer destes livrecos que ainda aqui estão?
— Estes — disse o cura — não hão de ser de cavalaria, mas sim de poesia.
E, abrindo um, viu que era a Diana de Jorge de Montemayor, e disse, crendo que todos os mais eram do mesmo gênero:
— Estes não merecem ser queimados como todos os mais, porque não fazem, nem farão, os danos que os de cavalaria têm feito; são obras de entretenimento, sem prejuízo de terceiro.
— Ai, senhor! — disse a sobrinha. — Bem os pode Vossa Mercê mandar queimar como aos outros, porque não admiraria que, depois de curado o senhor meu tio da mania dos cavaleiros, lendo agora estes se lhe metesse em cabeça fazer-se pastor, e andar-se pelos bosques e prados, cantando e tangendo; e pior fora ainda o perigo de se fazer poeta, que, segundo dizem, é enfermidade incurável e pegadiça.
ISBN: 978-85-7232-726-8; página 93
Publicado: August 6th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Leitura, Poesia | Tags: meme, Poesia | 2 Comentários »
Seguindo o exemplo do Livros [s]em Critério, também responderei à pergunta feita no Poesia & Lda., blog que eu não conhecia e que agora já está devidamente adicionado ao Google Reader.
O curioso é que mesmo não sendo um bom leitor de poesia, percebi que de janeiro pra cá comprei sete livros do gênero, cerca de um livro por mês. Talvez eu esteja tomando gosto pela coisa. Minha lista é:
- As Flores do Mal (Charles Baudelaire)
- Sonetos Luxuriosos (Aretino)
- Poesia Erótica em tradução de José Paulo Paes
- Uma temporada no Inferno (Rimbaud)
- As filhas de lilith (Cida Pedrosa)
- Descaminhar (Pedro Tostes)
- Mensagem (Fernando Pessoa)
Para ajudar a difundir o meme, diz aí: quantos livros de poesia você comprou neste ano?
Publicado: July 8th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Eventos, Leitura, Literatura Nacional, Poesia | Tags: Cida Pedrosa, Editora Malagueta, FLIP, FLIP 2009, LGBT, OFF FLIP, Paraty, Pedro Tostes | 1 Comentário »
A Off Flip é um evento paralelo que acontece durante a FLIP, em Paraty. Com foco na produção independente e alternativa, a Off Flip tem até concurso literário. Este ano, diferente de 2007, consegui ver um pouquinho do que rolou neste lado b.
Primeiro conheci a poeta Cida Pedrosa num passeio de jeep por pontos turísticos da cidade. Durante a Off ela participou de uma mesa sobre Manoel Bandeira, homenageado da FLIP, e também lançou seu novo livro, As Filhas de lilith. A edição do livro é tão caprichada que é quase inacreditável saber que custava apenas R$15 (Livraria da Vila). A Cida também também edita o INTERPOÉTICA, junto com o Sennor Ramos, o cúmplice de sonhos dela.
Depois assisti um pouquinho do Sarau de Poesia Maloqueirista, com Caco Pontes, Berimba de Jesus e Pedro Tostes. Aproveitei para comprar Descaminhar. Gostaria de ver algo no blog da poesia maloqueirista sobre a apreensão de livros e materiais dos artistas de ruas. Mas até agora não postaram nada.
O último evento que vi na Off Flip foi a 1ª Conversa Lésbica Literária de Paraty, que aconteceu na Pousada Villa del Rey. Estavam presentes Karina Dias, Mariana Cortez, Lúcia Facco e Laura Bacellar, todas da Malagueta, uma editora que produz literatura lésbica de maneira natural, sem fatalismos e pornografia desnecessária.

1ª Conversa Lésbica Literária de Paraty
Entre outros assuntos, a Laura comentou que criou a editora para representar as lésbicas no meio literário brasileiro, onde 25 mil livros são editados por ano e nenhum aborda o lesbianismo, sendo que as lésbicas fazem parte de uma parcela significativa da população brasileira. Segundo a Laura, nesses 25 mil livros/ano, aparece um com temática lésbica a cada dois ou três anos. As escritoras presentes também comentaram sobre o processo de criação dos contos e romances e sobre a interação entre escritoras e leitoras através da internet.
Publicado: July 3rd, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Curiosidade, Eventos, Leitura, Literatura Nacional, Poesia | Tags: FLIP 2009, Paraty | 3 Comentários »
KY
a vida é dura
não tem caô
e nem ka-ypsilon
Ontem dei uma passada rápida no sarau de poesia maloqueirista que estava acontencendo no Dinho’s Bar. Lá fiquei sabendo que aqui em Paraty se apre(e)nde poesia. Com um e, o verbo é para o público do sarau e da FLIP. Já com dois es se torna a ação preferida dos fiscais de todo o mundo: apreender.
O poeta Pedro Tostes, autor do poema no início deste post, foi um dos artistas que teve material apreendido durante a festa literária deste ano. Segundo ouvi no albergue onde estou, nem as estátuas vivas conseguem mais se apresentar por aqui. Um senhor peruano, hospedado no mesmo hostel que eu, também não pode mais tocar a sua harpa nas ruas.
Uma pena, já que em 2007 o clima de festa e de arte pra todo canto era um dos grandes atrativos da cidade durante a quinta edição da FLIP.