Este é, provavelmente, o único registro em vídeo do escritor norte-americano Mark Twain. O escritor e suas filhas foram filmados pelo inventor Thomas Edison:
Xavier de Maistre foi uma das influências de Machado de Assis. Ou ainda é, já que o autor morre, mas a obra permanece. Acabei de ler Viagem à Roda do Meu Quarto e por acaso encontrei um vídeo do Entrelinhas sobre o autor e este relato dos 42 dias em que o personagem viaja dentro do seu próprio quarto:
A matéria do Entrelinhas cita o momento em que o narrador começa a divagar sobre a dualidade que o ser humano carrega, a divisão entre alma e besta. Isto acontece logo no sexto capítulo do livro e o primeiro exemplo desta teoria explica o que acontece durante um momento que todo leitor ou leitora já enfrentou:
Quando estais lendo um livro, caro senhor, e uma idéia mais agradável entra de repente em vossa imaginação, a vossa alma imediatamente se deixa agarrar e esquece o livro, enquanto os olhos vão seguindo maquinalmente as palavras e as linhas; acabais a página sem compreendê-la e sem vos lembrardes do que lestes. — Isto vem do fato de que a vossa alma, tendo ordenado à companheira que continuasse a leitura, não a advertiu da ligeira falta que ia fazer; de modo que a outra continuava a leitura que a vossa alma não mais ouvia.
Viagem à Roda do Meu Quarto; Xavier de Maistre; Estação Liberdade, pg. 13.
Tradução de Marques Rebelo.
Já terminei a Viagem e agora parto para a Expedição Noturna à Roda do Meu Quarto, a continuação publicada 31 anos depois do primeiro livro. Ainda em tempo, uma nova tradução lançada recentemente pela editora Hedra e a atualização já começa pelo título: Viagem Em Volta do Meu Quarto.
Já que estou lendo On the Road, o livro que é considerado a obra prima de Jack Kerouac e a bíblia de uma geração, nada mais justo que postar este documentário com mais de uma hora sobre a vida do autor. Infelizmente, sem legendas em português.
Cheguei ontem da sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP. Como tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo (FLIP, Flipinha, OFF FLIP, Flipzona, Casa da Cultura, peças de teatro, etc.), tive que fazer algumas escolhas. Aí está o que me lembro de ter visto da programação principal. A lista serve também como um lugar para concentrar links relacionados.
Mesa 1 – Novos Traços: Bate-papo com os quadrinistas Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá. Uma das coisas que mais gostei desta mesa foi a spoken comic, quando os autores inseriram diálogos das HQs em imagens que apareciam no telão. Felizmente osvídeos foram disponibilizados no YouTube. No site da revista Piauí também é possível baixar o áudio completo da mesa.
Mesa 4 – China no Divã: Esta mesa deve ter ficado conhecida como o tormento da equipe de tradução simultânea. Não foi fácil o malabrismo dos tradutores com português, inglês e mandarim. A conversa com Xinran e Ma Jian foi muito interessante e aposto que serviu para muitos como uma introdução ao aspecto político da China, país cuja cena literária às vezes passa despercebida pelos brasileiros. Xinran foi muito simpática na fila de autógrafos e conversava com todos. Parece uma boa característica para alguém que se chama com prazer. Em um momento da mesa ela disse que não tinha interesse pelo “poder ecônomico e político da China”, mas que se interessava muito pelas vidas das “mães e avós” do país.
Xinran e Ma Jian autografando
Mesa 5 – Deus, um delírio: Esta era uma das mesas que eu mais esperava da FLIP, e acho que por isso não foi tão emocionante para mim. Tive a impressão de que tudo o que o Dawkins disse já era de conhecimento daqueles que acompanham os trabalhos dele, e isso vale tanto para a biologia quanto para o ateísmo. Mas achei excelente ele se posicionar contra o darwinismo social, um mal que ainda atinge algumas pessoas, mesmo no Brasil.
Mesa 8 – Edna O’Brien: Esta escritora irlandesa criou polêmica com seu primeiro romance, The Country Girls. Na época o livro chegou até a ser queimado por alguns religiosos. Mas segundo a autora, foi uma queima bem modesta. Nada de pilhas de livros em chamas na rua. Durante a mesa, O’Brien disse que para dedicar-se à escrita, sem interrupções, “é preciso ser um monstro ou pelo menos muito egoísta”. Não resisti e pedi para ela assinar a biografia de James Joyce (1999).
Edna O'Brien na Tenda dos Autógrafos
Mesa 9 – O eu profundo e outros eus: Esta foi a mesa com o mexicano Mario Bellatin e o catarinense/paranaense Cristovão Tezza. Bellatin sempre usa próteses provocadoras na mão esquerda, como uma flor ou um gancho. Durante a conversa ele usava uma em forma de pênis. Eu estava assistindo a mesa quando comecei a ouvir tambores e gritos na rua. Era uma manifestação da população caiçara, indígena e quilombola da região. Larguei a literatura e fui pro meio do protesto. Quando voltei a mesa já estava acabando. Em tempo, comprei a caprichada edição de Flores, de Mario Bellatin, publicada pela Cosac Naify.
Bellatin e sua prótese fálica
Mesa 10 – Sequências brasileiras: Como eu tinha visto Milton Hatoum em Curitiba poucos dias antes de viajar, esta mesa não era lá grande coisa para mim. Mas a conversa entre os escritores e o mediador foi tão divertida que acabou sendo uma das mesas mais legais que vi. Chico Buarque e Milton Hatoum falaram de várias coincidências que existem entre Leite Derramado e Órfãos do Eldorado e arrancaram muitos risos e aplausos da plateia. Vídeos no YouTube é o que não falta. Desconfio que a mesa toda esteja lá. Antes de terminar, Buarque demonstrou sua simpatia pela população da região que organizou o protesto durante a mesa 9:
Mesa 12 – Entre Quatro Paredes: Curiosamente não tenho nenhuma anotação no meu caderno sobre esta mesa. Mas lembro que foi uma mesa muito divertida e cheia de alfinetadas entre Calle e Bouillier. A exposição Cuide de Você, de Sophie Calle, ficará em cartaz no SESC Pompéia de 11 de julho a 7 de setembro.
Mesa 14 – Fama e anonimato: Cheguei atrasado na mesa do mestre do new journalism, Gay Talese. Entre os assuntos que me recordo, Talese falou da convivência entre repórteres e editores, dizendo que sempre teve experiências maravilhosas com editores. Foi elegante até mesmo ao comentar o caso com a editora da New Yorker, Tina Brown, sobre a matéria a respeito de John Bobbitt.
Mesa 15 – Escrever é preciso: Esta sim era a mesa que eu mais esperava. E foi a que eu mais gostei. António Lobo Antunes esbanjou histórias sobre sua família e a relação com o Brasil, citou diversos escritores brasileiros e se mostrou um grande conhecedor da nossa literatura. Tive que sacrificar uns 30 minutos da mesa para poder ficar entre as 100 primeiras pessoas na fila de autógrafos. Foi uma pena.
Aconteceu entre os dias 23 e 28 deste mês a segunda edição do Festival Palestino de Literatura, um evento itinerante que viaja pela Cisjordânia. A abertura do evento deveria acontecer no Teatro Nacional Palestino, na Jerusalém Oriental, mas foi interrompida pela polícia israelense com a justificativa de que o evento – patrocinado pela UNESCO e pelo Consulado Britânico – tinha recebido verba da Autoridade Palestina. A abertura então foi transferida para o Centro Cultural Francês, onde a jurisdição israelense não podia atuar.
De acordo com o relato da escritora e jornalista chinesa Dan-Chyi Chua, o espaço do Centro teve que ser improvisado para abrigar um evento que eles não esperavam e a programação do primeiro dia teve que ser ajustada por causa do tempo que perderam com a mudança de planos. O English PEN World Atlas publicou um vídeo que mostra o momento em que os policiais declaram que o teatro deve ser fechado e os participantes então caminham até o Centro Cultural Francês:
Hoje, meus amigos, nós vimos o exemplo mais claro da nossa missão: confrontar a cultura do poder com o poder da cultura.
Quem também estava presente no evento era Michael Palin, do grupo de comediantes ingleses Monty Python. Palin defendeu que um “pouco de senso de humor ajudaria a resolver os problemas do mundo”.
A cerimônia de encerramento do evento também teve seus contratempos. Com ordem do Ministério de Segurança Interna de Israel, o Teatro Nacional Palestino teve novamente as suas portas fechadas, com a alegação de que a Autoridade Palestina deveria ter avisado por escrito que este encontro iria acontecer. Mais uma vez, os autores convidados e os participantes do evento se uniram em uma caminhada para um novo lugar: o Consulado Britânico. Na página com vídeos do festival, há um onde o cônsul britânico pede explicações sobre a ordem de fechamento do teatro:
O encerramento prosseguiu no jardim do consulado, com direito a música e a cada autor convidado lendo trechos de obras que os inspiraram. Entre os homenageados pelo PalFest estavam o poeta palestino Mahmoud Darwish e o dramaturgo britânico Harold Pinter. Pinter e Darwish também eram conhecidos pelas suas críticas à política de Israel. Ambos faleceram no ano passado.
Este resumo foi feito com base em relatos e notícias publicados na internet, com o propósito de divulgar, em língua portuguesa, os acontecimentos desta semana. Para saber mais sobre o festival, visite o site e o twitter oficial do PalFest. A organização também publicou algumas fotos no Flickr. Diversos orgãos cobriram o evento, entre eles o PEN World Atlas, Asia! e o onipresente Global Voices.
Vídeo produzido pela Avistar e pela Ecoavis em homenagem a Guimarães Rosa, grande nome da literatura brasileira
“E viu voar, do mulungu, vermelho, um tié-piranga, ainda mais vermelho – e o tié-piranga pousou num ramo do barbatimão sem flores, e Nhô Augusto sentiu que o barbatimão todo se alegrava, porque tinha agora um ramo que era de mulungu.” – Sagarana
No início dos anos 70 o escritor José Saramago resolveu se aventurar no campo da literatura infantil e escreveu um conto chamado A Maior Flor do Mundo. A história desta flor, que estava quase morrendo, também leva o narrador a se desculpar por não saber escrever histórias para crianças e a terminar o conto convidando aqueles que o leram a contarem novamente esta história, do seu próprio modo.
Anos depois o editor de Saramago resolve reeditar o livro e, com isso, o narrador tem a sua vontade atendida: hoje, milhares de crianças já reescreveram esta história nas escolas primárias de Portugal, Espanha e meio mundo.
Agora foi a vez da história ganhar vida em forma de uma animação produzida por Juan Pablo Etcheverry e Chelo Loureiro, com música de Emilio Aragón. O vídeo desta animação é o que está no começo deste post, mas você também pode assistir diretamente no site da Flocos.tv.
O vídeo aí de cima mostra o trabalho do poeta e rapper Allan da Rosa, escritor da periferia de São Paulo que deu novo sentido à expressão literatura marginal ao criar uma editora caseira, o selo Edições Toró, para fazer a imaginação circular à margem do mercado editorial.
Sobre o toque artesanal dado aos livros, Allan alerta:
Não é capricho, cara. Não é acessório. O subúrbio, o povo negro, o povo indígena, têm uma história de relação com a leitura que não é a mesma que sempre trilhou os caminhos normais da escolaridade. Então, a gente precisa fazer livro bonito, atrativo, porque a gente ainda tem muito espinho na mão quando vai catar um livro, a gente tem medo de livro. Então a gente precisa, pra que quando aquela pessoa fala “não gosto de ler”, olhe seu livro e fale “porra, mas deixa eu pegar, deixa eu folhear”. Isso é necessário, não é acessório, não é secundário.