Começa no dia 13 de setembro a Semana Literária SESC Paraná, que tem como tema deste ano a leitura e o cotidiano. O evento acontece simultaneamente em todas as unidades do SESC e promove mesas redondas, palestras, oficinas e outras atividades, além dos estandes de diversas livrarias.
Entre as escritoras e os escritores convidados, estão: Lya Luft, Joca Terron, Raimundo Carrero, Tatiana Salem Levy, Altair Martins, Sérgio Sant’Anna e André Sant’Anna, Michel Laub, João Paulo Cuenca e Heloísa Buarque de Holanda.
Na próxima quarta celebramos o dia de Leopold Bloom. Curitiba não fica de fora. Até o momento, a programação que vi por aí é a seguinte:
BLOOMSDAY na reitoria: dia 16/junho, no anfiteatro 1100 do prédio Dom Pedro I (Rua General Carneiro, 460), à partir das 14h. Terá música, palestras, debates, leituras e gravuras ao vivo. A programação detalhada (via @vaguelypulse):14h: A canção Love’s Old Sweet Song executada por Caetano Galindo e Ana Torquato. 14h30: leitura de trechos 15h: Música M’appari executada por Caetano Galindo e Ana Torquato 15h30: leitura de trechos em mais de uma língua 16h: Música The Croppy Boy executada por Caetano Galindo, Ana Torquato e convidados e apresentação dos “Dublês de Dublin”! 16h30: Palestra do Prof. Ivan Justen sobre o cap. de Cila e Caribde 17h30: debates
Durante todo o evento haverá confecção de xilogravuras retratando partes do livro, pela aluna de Belas Artes Elisa Biassio Telles Bauer. Haverá também a venda de bottons do James Joyce e do evento.
Bloomsday na biblioteca!
Biblioteca Pública do Paraná: Leitura e debate de “Ulisses — James Joyce”, no Auditório Paul Garfunkel, 2º andar. (via Simultaneidades)
Livrarias Curitiba: em comemoração ao Bloomsday (16/06), onde é celebrado o romance Ulysses do escritor James Joyce, Ivan Justen Santana e William Crosué Teca realizam uma palestra sobre a literatura e as artes na obra de Joyce. A seguir, os palestrantes que formam a dupla Os dublês de Dublin, farão um pocket-show interpretando duas canções relacionadas a obra. 19h30, Livrarias Curitiba do Shopping Palladium.
Se você souber de mais algum evento, por favor, deixe um comentário.
Recebi por e-mail o cartaz do Abril de Shakespeare, evento anual que acontece aqui em Curitiba e que está na sua quinta edição. No ano passado eu pude assistir apenas uma palestra — Shakespeare e a desrazão: os loucos e bobos nas peças do dramaturgo — e foi muito legal. Espero que este ano eu possa participar mais.
Vi este cartaz colado pelo centro de Curitiba e hoje lembrei de conferir o tumblr do Rock Leituras. O recital será realizado no Auditório Paul Garfunkel da Biblioteca Pública do Paraná, no dia 30 de março de 2010, às 18 horas.
W. B. Yeats: a partir de hoje, em domínio público.
Hoje é dia de comemorar. O primeiro de janeiro, além do início de um novo ano, representa também o dia em que vencem os direitos autorais de muitas obras. A partir de hoje os trabalhos do pai da psicanálise, Sigmund Freud, caem em domínio público. Além dele, os poemas e peças do irlandês William B. Yeats também passam a ser de todos nós. Um conto de Yeats pode ser encontrado no já comentado Contos Irlandeses do Início do Séc. XX, uma compilação organizada e traduzida por Luci Collin.
A lista completa dos nomes que entram em domínio público a partir de hoje pode ser consultada no Public Domain Works.
Atualização: A Biblioteca Nacional da Irlanda preparou uma versão virtual da exposição que está mantendo sobre a vida e o trabalho de W. B. Yeats. Vale a pena conferir!
A Off Flip é um evento paralelo que acontece durante a FLIP, em Paraty. Com foco na produção independente e alternativa, a Off Flip tem até concurso literário. Este ano, diferente de 2007, consegui ver um pouquinho do que rolou neste lado b.
Primeiro conheci a poeta Cida Pedrosa num passeio de jeep por pontos turísticos da cidade. Durante a Off ela participou de uma mesa sobre Manoel Bandeira, homenageado da FLIP, e também lançou seu novo livro, As Filhas de lilith. A edição do livro é tão caprichada que é quase inacreditável saber que custava apenas R$15 (Livraria da Vila). A Cida também também edita o INTERPOÉTICA, junto com o Sennor Ramos, o cúmplice de sonhos dela.
O último evento que vi na Off Flip foi a 1ª Conversa Lésbica Literária de Paraty, que aconteceu na Pousada Villa del Rey. Estavam presentes Karina Dias, Mariana Cortez, Lúcia Facco e Laura Bacellar, todas da Malagueta, uma editora que produz literatura lésbica de maneira natural, sem fatalismos e pornografia desnecessária.
1ª Conversa Lésbica Literária de Paraty
Entre outros assuntos, a Laura comentou que criou a editora para representar as lésbicas no meio literário brasileiro, onde 25 mil livros são editados por ano e nenhum aborda o lesbianismo, sendo que as lésbicas fazem parte de uma parcela significativa da população brasileira. Segundo a Laura, nesses 25 mil livros/ano, aparece um com temática lésbica a cada dois ou três anos. As escritoras presentes também comentaram sobre o processo de criação dos contos e romances e sobre a interação entre escritoras e leitoras através da internet.
Cheguei ontem da sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP. Como tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo (FLIP, Flipinha, OFF FLIP, Flipzona, Casa da Cultura, peças de teatro, etc.), tive que fazer algumas escolhas. Aí está o que me lembro de ter visto da programação principal. A lista serve também como um lugar para concentrar links relacionados.
Mesa 1 – Novos Traços: Bate-papo com os quadrinistas Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá. Uma das coisas que mais gostei desta mesa foi a spoken comic, quando os autores inseriram diálogos das HQs em imagens que apareciam no telão. Felizmente osvídeos foram disponibilizados no YouTube. No site da revista Piauí também é possível baixar o áudio completo da mesa.
Mesa 4 – China no Divã: Esta mesa deve ter ficado conhecida como o tormento da equipe de tradução simultânea. Não foi fácil o malabrismo dos tradutores com português, inglês e mandarim. A conversa com Xinran e Ma Jian foi muito interessante e aposto que serviu para muitos como uma introdução ao aspecto político da China, país cuja cena literária às vezes passa despercebida pelos brasileiros. Xinran foi muito simpática na fila de autógrafos e conversava com todos. Parece uma boa característica para alguém que se chama com prazer. Em um momento da mesa ela disse que não tinha interesse pelo “poder ecônomico e político da China”, mas que se interessava muito pelas vidas das “mães e avós” do país.
Xinran e Ma Jian autografando
Mesa 5 – Deus, um delírio: Esta era uma das mesas que eu mais esperava da FLIP, e acho que por isso não foi tão emocionante para mim. Tive a impressão de que tudo o que o Dawkins disse já era de conhecimento daqueles que acompanham os trabalhos dele, e isso vale tanto para a biologia quanto para o ateísmo. Mas achei excelente ele se posicionar contra o darwinismo social, um mal que ainda atinge algumas pessoas, mesmo no Brasil.
Mesa 8 – Edna O’Brien: Esta escritora irlandesa criou polêmica com seu primeiro romance, The Country Girls. Na época o livro chegou até a ser queimado por alguns religiosos. Mas segundo a autora, foi uma queima bem modesta. Nada de pilhas de livros em chamas na rua. Durante a mesa, O’Brien disse que para dedicar-se à escrita, sem interrupções, “é preciso ser um monstro ou pelo menos muito egoísta”. Não resisti e pedi para ela assinar a biografia de James Joyce (1999).
Edna O'Brien na Tenda dos Autógrafos
Mesa 9 – O eu profundo e outros eus: Esta foi a mesa com o mexicano Mario Bellatin e o catarinense/paranaense Cristovão Tezza. Bellatin sempre usa próteses provocadoras na mão esquerda, como uma flor ou um gancho. Durante a conversa ele usava uma em forma de pênis. Eu estava assistindo a mesa quando comecei a ouvir tambores e gritos na rua. Era uma manifestação da população caiçara, indígena e quilombola da região. Larguei a literatura e fui pro meio do protesto. Quando voltei a mesa já estava acabando. Em tempo, comprei a caprichada edição de Flores, de Mario Bellatin, publicada pela Cosac Naify.
Bellatin e sua prótese fálica
Mesa 10 – Sequências brasileiras: Como eu tinha visto Milton Hatoum em Curitiba poucos dias antes de viajar, esta mesa não era lá grande coisa para mim. Mas a conversa entre os escritores e o mediador foi tão divertida que acabou sendo uma das mesas mais legais que vi. Chico Buarque e Milton Hatoum falaram de várias coincidências que existem entre Leite Derramado e Órfãos do Eldorado e arrancaram muitos risos e aplausos da plateia. Vídeos no YouTube é o que não falta. Desconfio que a mesa toda esteja lá. Antes de terminar, Buarque demonstrou sua simpatia pela população da região que organizou o protesto durante a mesa 9:
Mesa 12 – Entre Quatro Paredes: Curiosamente não tenho nenhuma anotação no meu caderno sobre esta mesa. Mas lembro que foi uma mesa muito divertida e cheia de alfinetadas entre Calle e Bouillier. A exposição Cuide de Você, de Sophie Calle, ficará em cartaz no SESC Pompéia de 11 de julho a 7 de setembro.
Mesa 14 – Fama e anonimato: Cheguei atrasado na mesa do mestre do new journalism, Gay Talese. Entre os assuntos que me recordo, Talese falou da convivência entre repórteres e editores, dizendo que sempre teve experiências maravilhosas com editores. Foi elegante até mesmo ao comentar o caso com a editora da New Yorker, Tina Brown, sobre a matéria a respeito de John Bobbitt.
Mesa 15 – Escrever é preciso: Esta sim era a mesa que eu mais esperava. E foi a que eu mais gostei. António Lobo Antunes esbanjou histórias sobre sua família e a relação com o Brasil, citou diversos escritores brasileiros e se mostrou um grande conhecedor da nossa literatura. Tive que sacrificar uns 30 minutos da mesa para poder ficar entre as 100 primeiras pessoas na fila de autógrafos. Foi uma pena.
Ontem dei uma passada rápida no sarau de poesia maloqueirista que estava acontencendo no Dinho’s Bar. Lá fiquei sabendo que aqui em Paraty se apre(e)nde poesia. Com um e, o verbo é para o público do sarau e da FLIP. Já com dois es se torna a ação preferida dos fiscais de todo o mundo: apreender.
O poeta Pedro Tostes, autor do poema no início deste post, foi um dos artistas que teve material apreendido durante a festa literária deste ano. Segundo ouvi no albergue onde estou, nem as estátuas vivas conseguem mais se apresentar por aqui. Um senhor peruano, hospedado no mesmo hostel que eu, também não pode mais tocar a sua harpa nas ruas.
Uma pena, já que em 2007 o clima de festa e de arte pra todo canto era um dos grandes atrativos da cidade durante a quinta edição da FLIP.
Fica também o vídeo-convite do pessoal de Ponta Grossa:
Update: Post atualizado porque a programação divulgada anteriormente (copiada do Orelha do Livro) estava errada. Este ano em Curitiba só teve mesmo a palestra da Luci Collin.
O Bloomsday é, de acordo com a Wikipedia, o único feriado do mundo dedicado a um livro (com exceção da Bíblia). O livro em questão é o famoso Ulisses, do escritor irlandês James Joyce, e o nome do feriado vem do personagem principal deste livro, Leopold Bloom. A história contada nas quase mil páginas de Ulisses se passa toda em um único dia, 16 de junho de 1904. Por isso, na Irlanda e em outros lugares do mundo, o dia 16 de junho é celebrado pelos leitores de Joyce.
Atores celebrando o Bloomsday em frente ao pub Davy Byrnes (Dublin), citado no livro
Em Dublin a festa é grande. Tem leitura de trechos do livro pelas ruas da cidade, pessoas vestidas como os personagens e um passeio recriando o trajeto feito por Bloom ao longo da história. No Brasil as comemorações são mais tímidas, mas também convidativas. São Paulo costuma ter uma programação recheada para os fãs de Joyce e este ano não será diferente. Pesquisando na internet descobri que outra cidade brasileira que adora celebrar o dia de Bloom é Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde a data é comemorada desde 1994.
Em Curitiba a data é comemorada desde 2000. Em 2006 teve uma programação variada, que incluía leituras, shows e palestras. Ano passado (2008) as Livrarias Curitiba convidaram o professor Caetano Waldrigues Galindo, da UFPR, para realizar uma palestra sobre Ulisses e, neste ano, quem comanda o Bloomsday na capital paranaense é a escritora Luci Collin, com a palestra “Irlanda de Bloom, Irlanda hoje”. O evento acontecerá às 19:30h, nas Livrarias Curitiba do Shopping Estação.
Mais uma vez eu vou ao Bloomsday sem ter lido Ulisses. Para perceber a evolução do estilo literário de Joyce, estou seguindo a ordem de publicação dos três principais livros dele: Dubliners (1914), A Portrait of the Artist as a Young Man (1916) e Ulysses (1922). Dubliners (publicado no Brasil como Dublinenses, é composto por 15 contos, com destaque para Os mortos, que assim como Ulisses, teve adaptação para o cinema.
Um Retrato do Artista Quando Jovem (A Portrait of the Artist as a Young Man) é um romance autobiográfico onde Joyce recria o seu trajeto de criança, em um ambiente carregado de dogmas religiosos e políticos, até a fase adulta, onde se torna um artista de pensamento independente. Terminei de ler este livro este mês e o momento em que o jovem Stephen Dedalus, alterego de Joyce, decide abandonar suas amarras e deveres sociais é, no mínimo, inspirador:
I will not serve that in which I no longer believe, wether it call itself my home, my fatherland, or my church: and I will try to express myself in some mode of life or art as freely as I can and as wholly as I can, using for my defence the only arms I allow myself to use – silence, exile, and cunning.
Não servirei aquilo em que não acredito mais, chame-se isso o meu lar, a minha pátria, ou a minha igreja: e vou tentar exprimir-me por algum modo de vida ou de arte tão livremente quanto possa, e de modo tão completo quanto possa, empregando para a minha defesa apenas as armas que eu me permito usar: silêncio, exílio e sutileza.
Aproveitando a deixa, eu não recomendo ler esta tradução sem um guia de leitura por perto. Apesar de eu discordar do tradutor em várias escolhas (a começar pela remoção do artigo indefinido do título), o que mais me incomodou foi a ausência de notas explicativas ao longo do texto. Como comparação, o texto original publicado pela Wordsworth, que fui lendo em paralelo com a versão em português, tem 526 notas sobre o contexto político e cultural da Irlanda, além de esclarecimentos de citações e trechos em latim que aparecem na história.
E já que eu não vou conseguir ler Ulisses antes do próximo Bloomsday, estou aproveitando o momento para ler Contos Irlandeses do Início do Século XX, volume de contos organizado e traduzido por Luci Collin, a palestrante do Bloomsday curitibano deste ano. Mas se você não fizer questão de muito detalhe, pode ler Ulysses for Dummies, uma versão divertida do livro feita com GIFs animados.