FLIP – 2009
Publicado: July 8th, 2009 | Autor: logorreia | Categorias: Eventos, Literatura Estrangeira, Literatura Nacional, Quadrinhos, Vídeo | Tags: FLIP, FLIP 2009, Paraty | 3 Comentários »Cheguei ontem da sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP. Como tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo (FLIP, Flipinha, OFF FLIP, Flipzona, Casa da Cultura, peças de teatro, etc.), tive que fazer algumas escolhas. Aí está o que me lembro de ter visto da programação principal. A lista serve também como um lugar para concentrar links relacionados.
Mesa 1 – Novos Traços: Bate-papo com os quadrinistas Rafael Coutinho, Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Grampá. Uma das coisas que mais gostei desta mesa foi a spoken comic, quando os autores inseriram diálogos das HQs em imagens que apareciam no telão. Felizmente os vídeos foram disponibilizados no YouTube. No site da revista Piauí também é possível baixar o áudio completo da mesa.
Mesa 4 – China no Divã: Esta mesa deve ter ficado conhecida como o tormento da equipe de tradução simultânea. Não foi fácil o malabrismo dos tradutores com português, inglês e mandarim. A conversa com Xinran e Ma Jian foi muito interessante e aposto que serviu para muitos como uma introdução ao aspecto político da China, país cuja cena literária às vezes passa despercebida pelos brasileiros. Xinran foi muito simpática na fila de autógrafos e conversava com todos. Parece uma boa característica para alguém que se chama com prazer. Em um momento da mesa ela disse que não tinha interesse pelo “poder ecônomico e político da China”, mas que se interessava muito pelas vidas das “mães e avós” do país.

Xinran e Ma Jian autografando
Mesa 5 – Deus, um delírio: Esta era uma das mesas que eu mais esperava da FLIP, e acho que por isso não foi tão emocionante para mim. Tive a impressão de que tudo o que o Dawkins disse já era de conhecimento daqueles que acompanham os trabalhos dele, e isso vale tanto para a biologia quanto para o ateísmo. Mas achei excelente ele se posicionar contra o darwinismo social, um mal que ainda atinge algumas pessoas, mesmo no Brasil.
Mesa 8 – Edna O’Brien: Esta escritora irlandesa criou polêmica com seu primeiro romance, The Country Girls. Na época o livro chegou até a ser queimado por alguns religiosos. Mas segundo a autora, foi uma queima bem modesta. Nada de pilhas de livros em chamas na rua. Durante a mesa, O’Brien disse que para dedicar-se à escrita, sem interrupções, “é preciso ser um monstro ou pelo menos muito egoísta”. Não resisti e pedi para ela assinar a biografia de James Joyce (1999).

Edna O'Brien na Tenda dos Autógrafos
Mesa 9 – O eu profundo e outros eus: Esta foi a mesa com o mexicano Mario Bellatin e o catarinense/paranaense Cristovão Tezza. Bellatin sempre usa próteses provocadoras na mão esquerda, como uma flor ou um gancho. Durante a conversa ele usava uma em forma de pênis. Eu estava assistindo a mesa quando comecei a ouvir tambores e gritos na rua. Era uma manifestação da população caiçara, indígena e quilombola da região. Larguei a literatura e fui pro meio do protesto. Quando voltei a mesa já estava acabando. Em tempo, comprei a caprichada edição de Flores, de Mario Bellatin, publicada pela Cosac Naify.

Bellatin e sua prótese fálica
Mesa 10 – Sequências brasileiras: Como eu tinha visto Milton Hatoum em Curitiba poucos dias antes de viajar, esta mesa não era lá grande coisa para mim. Mas a conversa entre os escritores e o mediador foi tão divertida que acabou sendo uma das mesas mais legais que vi. Chico Buarque e Milton Hatoum falaram de várias coincidências que existem entre Leite Derramado e Órfãos do Eldorado e arrancaram muitos risos e aplausos da plateia. Vídeos no YouTube é o que não falta. Desconfio que a mesa toda esteja lá. Antes de terminar, Buarque demonstrou sua simpatia pela população da região que organizou o protesto durante a mesa 9:
Mesa 12 – Entre Quatro Paredes: Curiosamente não tenho nenhuma anotação no meu caderno sobre esta mesa. Mas lembro que foi uma mesa muito divertida e cheia de alfinetadas entre Calle e Bouillier. A exposição Cuide de Você, de Sophie Calle, ficará em cartaz no SESC Pompéia de 11 de julho a 7 de setembro.
Mesa 14 – Fama e anonimato: Cheguei atrasado na mesa do mestre do new journalism, Gay Talese. Entre os assuntos que me recordo, Talese falou da convivência entre repórteres e editores, dizendo que sempre teve experiências maravilhosas com editores. Foi elegante até mesmo ao comentar o caso com a editora da New Yorker, Tina Brown, sobre a matéria a respeito de John Bobbitt.
Mesa 15 – Escrever é preciso: Esta sim era a mesa que eu mais esperava. E foi a que eu mais gostei. António Lobo Antunes esbanjou histórias sobre sua família e a relação com o Brasil, citou diversos escritores brasileiros e se mostrou um grande conhecedor da nossa literatura. Tive que sacrificar uns 30 minutos da mesa para poder ficar entre as 100 primeiras pessoas na fila de autógrafos. Foi uma pena.

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