Lendo a coluna Ecco! da revista Entre Livros #3, conheci o Zvi Har’El’s Jules Verne Collection, um website dedicado ao escritor francês Júlio Verne e mantido pelo Dr. Zvir Har’El desde novembro de 1995. No site é possível encontrar notícias, agendas de celebrações, bibliografia, antologia de ensaios, fórum para discussões vernianas, imagens de selos dedicados ao escritor, ilustrações das edições originais francesas e até uma lista das traduções de Verne para o hebraico. O senhor Zvi é um israelense que mantém o site em homenagem ao filho, que faleceu quando tinha 19 anos.
A seção que mais chama a atenção, indicada na revista por ninguém menos que Umberto Eco, é a livraria virtual, que contém textos integrais de Verne em diversas línguas. Infelizmente a ausência da bandeira de algum país lusófono indica que nenhum dos textos está traduzido para o português. Porém a seção com as perguntas mais freqüentes, o FAQ, já está traduzido para a nossa língua.
Aconteceu entre os dias 23 e 28 deste mês a segunda edição do Festival Palestino de Literatura, um evento itinerante que viaja pela Cisjordânia. A abertura do evento deveria acontecer no Teatro Nacional Palestino, na Jerusalém Oriental, mas foi interrompida pela polícia israelense com a justificativa de que o evento – patrocinado pela UNESCO e pelo Consulado Britânico – tinha recebido verba da Autoridade Palestina. A abertura então foi transferida para o Centro Cultural Francês, onde a jurisdição israelense não podia atuar.
De acordo com o relato da escritora e jornalista chinesa Dan-Chyi Chua, o espaço do Centro teve que ser improvisado para abrigar um evento que eles não esperavam e a programação do primeiro dia teve que ser ajustada por causa do tempo que perderam com a mudança de planos. O English PEN World Atlas publicou um vídeo que mostra o momento em que os policiais declaram que o teatro deve ser fechado e os participantes então caminham até o Centro Cultural Francês:
Hoje, meus amigos, nós vimos o exemplo mais claro da nossa missão: confrontar a cultura do poder com o poder da cultura.
Quem também estava presente no evento era Michael Palin, do grupo de comediantes ingleses Monty Python. Palin defendeu que um “pouco de senso de humor ajudaria a resolver os problemas do mundo”.
A cerimônia de encerramento do evento também teve seus contratempos. Com ordem do Ministério de Segurança Interna de Israel, o Teatro Nacional Palestino teve novamente as suas portas fechadas, com a alegação de que a Autoridade Palestina deveria ter avisado por escrito que este encontro iria acontecer. Mais uma vez, os autores convidados e os participantes do evento se uniram em uma caminhada para um novo lugar: o Consulado Britânico. Na página com vídeos do festival, há um onde o cônsul britânico pede explicações sobre a ordem de fechamento do teatro:
O encerramento prosseguiu no jardim do consulado, com direito a música e a cada autor convidado lendo trechos de obras que os inspiraram. Entre os homenageados pelo PalFest estavam o poeta palestino Mahmoud Darwish e o dramaturgo britânico Harold Pinter. Pinter e Darwish também eram conhecidos pelas suas críticas à política de Israel. Ambos faleceram no ano passado.
Este resumo foi feito com base em relatos e notícias publicados na internet, com o propósito de divulgar, em língua portuguesa, os acontecimentos desta semana. Para saber mais sobre o festival, visite o site e o twitter oficial do PalFest. A organização também publicou algumas fotos no Flickr. Diversos orgãos cobriram o evento, entre eles o PEN World Atlas, Asia! e o onipresente Global Voices.